De acordo com a OMS, é obeso quem tem IMC igual ou maior que 30 - Crédito: Sylvia Barreto

A aviação brasileira acomoda bem os obesos?

por: Sylvia Barreto
6 de setembro 2018

Gabriel da Silva tem problemas na hora de usar o banheiro de um avião. Mariana Amaral já foi deixada sem extensor de cinto durante voo da Latam entre Barcelona e São Paulo. Renata Poskus tem preferido pegar ônibus ao invés de avião em trechos curtos e Sabrina Coêlho não consegue sentar confortavelmente ao lado do namorado em aeronaves. Eles levam vidas diferentes, mas há  uma coisa que os une: o sufoco em voos por serem obesos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), quem tem o Índice de Massa Corpórea (IMC) igual ou superior a 30 é considerado obeso. Para calcular esse índice, devemos dividir o peso da pessoa pelo resultado da altura ao quadro. Por exemplo, uma pessoa que pesa 110 quilos e tem 1,70 de altura faria a seguinte conta: 110 / 1,70² = 38,6, número que caracteriza obesidade. Gabriel, Mariana, Renata e Sabrina têm o número superior a 30.

Os quatro entrevistados não são uma exceção à regra atualmente no Brasil. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, 18,9% da população brasileira era obesa em 2016, sendo que em 2006 esse percentual era de 11,8%. Na mesma pesquisa, foi constatado que 53,3% dos habitantes do país estão com sobrepeso, ou seja, aqueles com IMC igual ou superior a 25.

A publicitária Mariana Amaral viaja bastante a trabalho e se incomoda com as poltronas de diversos aviões – Crédito: arquivo pessoal

Se o número de obesos cresceu, o de passageiros pagos em voos domésticos também aumentou nos últimos anos. Em 2007, foram transportados 47,4 milhões de passageiros pagos em voos domésticos no Brasil, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em 2016, esse número subiu para 88,7 milhões, com anos de pico, como 2015, no qual 96,2 milhões de passageiros foram transportados em voos nacionais. Claro que um percentual de passageiros de voos domésticos é de estrangeiros. Porém, vamos fazer uma conta rápida: se 18,9% da população brasileira é obesa e tivemos 88,7 milhões de passageiros transportados em voos domésticos em 2016, pode se concluir que 16,8 milhões dos transportados têm chance de ser obeso levando em conta os dados da pesquisa do Ministério da Saúde. Não seria um número a ser considerado?

Constrangimento e falta de informação
Sabrina, que mora em Fortaleza, fez sua pior quando estava acompanhada do noivo este ano com a Latam, em um trecho entre sua cidade e São Paulo. “Foi horrível sentar lado a lado, somos gordos e ficamos totalmente desconfortáveis, tive que curvar meus ombros e pedir para ele ficar mais para o lado da janela”, conta. De acordo com Sabrina, sempre é ruim viajar de avião, ela tem problemas na hora de abaixar a mesinha para comer ou quando precisa levantar para ir ao banheiro. “Se estão com a poltrona da frente reclinada, eu não consigo levantar, tenho que pedir para o passageiro da frente voltar para a posição reta”, explica. Diante desse quadro, ela fica constrangida e até evita ir ao lavabo.

Um dos maiores problemas de Gabriel, que vive em São Paulo, também envolve o banheiro, mas pelo uso em si, já que costumam ser pequenos para o tamanho do corpo dele. Além disso, ele relata ter dificuldade para a solicitação do extensor. Quando o cinto não serve, os passageiros podem pedir esse item aos comissários. “Em retorno de uma viagem que fiz ao Rio de Janeiro em 2015 com a Gol, pedi o extensor à comissária. Ela gritou pelo corredor que eu precisava dele chamando pela sua colega de trabalho. Sou uma pessoa muito bem resolvida com o meu corpo, mas o fato de ter uma necessidade especial exposta dessa maneira dentro do avião foi algo muito constrangedor e fiquei incomodado pelos olhares que recebi, a falta de preparo com a qual ela lidou com a situação foi gritante”, desabafa.

Gabriel não tem problemas com sua imagem, mas já ficou envergonhado com em voos – Crédito: arquivo pessoal

Publicitária, Mariana vive no Rio de Janeiro e acaba viajando bastante a trabalho. Quase nunca pode escolher a companhia aérea para os destinos. Ela também percebe a falta de preparo citada por Gabriel. “No dia 24 de maio deste ano, peguei um voo da Latam em Barcelona, Espanha, para São Paulo. Pedi o extensor e o comissário se esqueceu de me dar. Voei muito tempo sem o cinto afivelado, mesmo tendo apertado o botão de aviso dos comissários”, conta. Outra tripulante acabou falando com Mariana e deu o extensor. “Ela ficou bem tensa quando viu que eu estava sem o cinto”, completa.

Apesar de ser uma viajante frequente, a publicitária demorou muito tempo para saber que o extensor existia. “Viajava apertada e desconfortável, nunca vi em nenhuma companhia aérea, seja nacional ou internacional, aviso sobre o uso do extensor”, diz. Ela só ficou sabendo do item, que é obrigatório, em um texto de uma blogueira obesa. “Foi um alívio tão grande ter essa informação e poder viajar um pouco melhor que eu nem fico constrangida na hora de pedir, apesar de perceber que alguns comissários me entregam como se fosse um segredo”, relata a publicitária.

A jornalista Renata Poskus é responsável pelo maior desfile de moda exclusivamente de tamanhos grandes do Brasil, o Fashion Weekend Plus Size, e ganhou reconhecimento no mercado com seu blog que relata a vida de uma mulher “acima do peso ideal”, o Mulherão. Ela não tem medo de se expor, desfila quando precisa, já fotografou nua e é ousada em suas roupas. Mesmo com toda essa autoconfiança, ela não deixa de se sentir constrangida em voos. Segundo ela, o pior momento foi em uma viagem feita com a Gol entre Campo Grande e São Paulo no ano passado. “Estava com uma amiga também gorda, a atendente do check-in que escolheu nossos lugares e nos deu bem aqueles da última fileira. Só quando sentamos percebemos que eles são ligeiramente menores que os outros”, conta.

Sabrina e o noivo ficam apertados quando viajam lado a lado em aviões – Crédito: arquivo pessoal

A situação de Renata e da amiga só piorou. A jornalista relata que a comissária ficou irritada quando ela pediu outro assento. “Eu brinquei e fiz piada, os passageiros ao redor riam, mas a verdade é que eu estava morrendo de vergonha. Fiquei brava porque a comissária disse que ia ver se era possível nos acomodar em outros lugares sendo que a aeronave não estava lotada. Eu disse que seria possível sim já que nós havíamos sido induzidas ao erro por um funcionário da companhia”, conclui.

Uma breve pesquisa

De 06 a 14 de agosto deste ano, o Viajar é Simples disponibilizou através de redes sociais um questionário pelo Google Docs. Foram 77 respostas recebidas de brasileiros, sendo que 75 pessoas podem ser consideradas obesas de acordo com o IMC e duas com sobrepeso, sendo que ambas têm IMC superior a 29 e abaixo de 30.

Uma das perguntas da pesquisa era: Qual cia aérea brasileira prefere. Havia quatro opções de resposta: Avianca Brasil, Azul, Gol e Latam. Foram 74 respostas e, em primeiro lugar, com 31,1% da preferência, ficou a Azul, seguida por Avianca Brasil (25,7%); em terceiro a Gol (23%) e, em quarto, a Latam (20,3%). Os participantes também responderam sobre a razão da preferência por determinada companhia. Dos 23 que escolheram a Azul como preferida, nove citaram o conforto, espaço entre as poltronas e o fato da aeronave ter apenas duas fileiras de dois assentos, isso no caso de voos nacionais. Dentre os 16 que preferem a Latam, os fatores decisivos mais mencionados foram milhas e custo mais baixo que as concorrentes.

Outra pergunta, respondida por 76 pessoas, foi: Você pagaria um valor maior por assentos mais largos mesmo que na classe econômica? Do total, 52,6% responderam que não. Dentre os passageiros entrevistados para essa matéria – Gabriel, Sabrina, Renata e Mariana – a questão também divide opiniões. Gabriel e Sabrina pagariam mais caro por um assento mais confortável, principalmente, em viagens mais longas.

Mariana e Renata não acham a cobrança justa. “O brasileiro cresceu em estatura e peso. Querem transformar o gordo em um problema, culpá-lo, sendo que a própria distância entre as fileiras de poltronas da Gol e Latam não acomoda confortavelmente um magro acima de 1,70 de altura. Quando você contrata uma poltrona com mais conforto, te colocam junto à porta de emergência. Como você vai ficar confortável de fato sabendo que a responsabilidade em abrir uma porta em caso de emergência? Para mim, que além de gorda tenho síndrome do pânico, isso é uma tortura. Não há nada de confortável nisso”, explica Renata. Para Mariana deveria haver assentos para obesos, mais largos, como obrigação.

 

As respostas da pesquisa podem ser vistas em uma tabela clicando aqui.

Quais os deveres das companhias?
As companhias aéreas brasileiras devem seguir a regulamentação da Anac, que é o órgão responsável pela aviação civil no Brasil. “Atualmente, não tem nenhuma regra clara sobre os direitos dos obesos nos voos em companhias aéreas brasileiras, exceto quando têm alguma dificuldade específica por conta do peso, como de locomoção”, explica o advogado especialista em direito processual civil e do consumidor Emerson dos Santos Magalhães, do escritório Küster Machado Advogados Associados.

Porém, Emerson cita a Resolução 280 da Anac de julho de 2013. Ela regulamenta a postura das companhias aéreas no atendimento aos passageiros com necessidade de assistência especial (PNAE), que é toda pessoa com deficiência, idade igual ou superior a 60 anos, gestante, lactante, pessoa acompanhada por criança de colo, pessoa com mobilidade reduzida ou qualquer indivíduo que por alguma condição específica tenha limitação na sua autonomia como passageiro, de acordo com o artigo 3º da Resolução.

“Os passageiros obesos que têm alguma dificuldade de locomoção por conta dessa condição têm todos os direitos dos PNAE”, ressalta. Dentre os direitos estão o pagamento de, no máximo, 20% do valor da passagem na necessidade de assento adicional e atendimento prioritário em todas as fases da viagem.

No entanto, Emerson lembra que essa regulamentação não vale para aqueles que são obesos e não têm nenhuma dificuldade física, como o caso dos entrevistados por essa reportagem, todos com IMC igual ou superior a 30, que os caracteriza como obesos, só que se movimentam normalmente. “Mesmo assim, há algumas normas que as companhias não podem deixar de cumprir, como o caso do extensor do cinto de segurança”, alerta.

De acordo com o advogado, é um dever da companhia aérea cuidar da segurança do passageiro e deixar alguém viajar sem o cinto é uma infração grave, basta conferir o Anexo IV à resolução nº 280 da Anac. Essa norma determina que não disponibilizar mecanismos de segurança adicionais ao cinto de duas pontas ao PNAE é caso de multa para a empresa que pode variar de R$ 10.000 a R$ 25.000.

“Na verdade, qualquer passageiro tem direto ao extensor. No caso da moça que viajou um período sem o cinto, mesmo não sendo considerada PNAE, ela poderia fazer uma reclamação formal à Anac, à companhia e, se quisesse, abrir um processo”, complementa. Emerson ainda ressalta que também é dever da companhia aérea deixar claro que o extensor está disponível, seja no momento da compra ou durante o voo.

Consultada sobre o caso de Mariana, a assessoria de imprensa da Latam Airlines enviou a seguinte resposta: “A Latam Airlines Brasil informa que dispõe de extensores de cinto a bordo de todas as suas aeronaves e lamenta a dificuldade relatada pela passageira. A empresa destaca que a segurança é um valor imprescindível em suas operações e todos os comissários são treinados para orientar e apoiar os clientes para o uso do equipamento sempre que necessário.”

O advogado consultado pelo Viajar é Simples explorou as normas encontradas na Resolução 280 da Anac e destaca que o artigo 8º, parágrafo 2º, inciso I, cita que a prestação de assistência especial não deve acarretar qualquer ônus ao PNAE pelos assentos adicionais necessários à acomodação dele, de suas ajudas técnicas ou de equipamentos médicos, cuja ocupação por outro passageiro esteja impedida. “Sendo assim, pode haver a interpretação que, se o passageiro em questão pagar por um ou mais assentos adicionais e o voo não estiver lotado, ele pode pedir reembolso”, explica o advogado. Ele dá como exemplo a companhia aérea Air France, que não é brasileira, mas que reembolsa os passageiros em casos de compra de assentos adicionais em voos que acabam tendo lugares vazios.

A Air France atua no Brasil com rotas entre o país e a Europa. A companhia esclareceu que os passageiros que viajam com a Air France e com as outras empresas do grupo, como a Joon e a KLM, podem reservar um assento adicional na classe Economy, se desejarem. O cliente obterá 25% de desconto na compra desse 2° assento. E, depois que o embarque estiver concluído, se sobrarem lugares na classe Economy, as companhias reembolsarão integralmente o valor pago nesse assento adicional. Detalhes para voos da Air France e da Joon, acesse aqui. Detalhes para voos da KLM, acesse aqui. Além disso, a Air France disponibiliza no site a largura real do assento de cada classe. Na Economy e na Economy Premium, por exemplo, as poltronas têm larguras de 40 a 46 cm, o que corresponde a medidas abdominais de, no máximo, 135 cm.

Air France oferece reembolso em caso de compra de assento adicional se o avião não decolar cheio – Crédito: Divulgação

A Gol, ou qualquer outra grande companhia aérea brasileira, não oferece desconto aos obesos que não se enquadram como PNAE, já que a Anac não obriga as companhias aéreas brasileiras a fazerem isso. Porém, orienta o passageiro a comprar o segundo assento e não cobra taxa de embarque para a poltrona adicional. Informações podem ser vistas aqui. No site da Avianca, também há um link específico para aqueles que desejam o assento extra. A Latam também disponibiliza orientações em seu site sobre o tema neste link. As informações sobre para quem pretende voar com a Azul podem ser vistas aqui.

De acordo com Marcelo Lima, gerente de operações da Anac, a obesidade por si só não configura o passageiro como PNAE. “Um simples desconforto na hora de voar não é razão para a pessoa se encaixar no quadro, mas se o passageiro de fato não cabe no assento e ficar em uma só poltrona é inviável, isso caracteriza um impedimento”, afirma. Segundo o gerente de operações, a Anac preserva o direito de ir e vir do cidadão, e não dar condições para quem não cabe em um assento seria inviabilizar esse direito, por isso, apesar da Resolução 280 não assegurar especificamente o direito dos obesos aos descontos do PNAE, as companhias aéreas brasileiras devem vender o segundo assento.

O que a Anac está fazendo?

Nos últimos anos, a Anac encomendou estudos sobre a situação de comodidade dos passageiros PNAE nos aeroportos e nas aeronaves das companhias aéreas nacionais em parceria com a Universidade Federal de São Carlos, a UFSCar.

O Laboratório de Simulação, Ergonomia e Projeto de Situações Produtivas (PSPLab) da UFSCar tem desenvolvido estudos, chamado de Projeto Universalidades, sobre o transporte aéreo de passageiros com deficiência, idosos e obesos sob coordenação dos professores Nilton Luiz Menegon e Talita Naiara Rossi da Silva. “Na verdade, o primeiro estudo da universidade neste sentido foi o Cabine Universal, em parceria com a Embraer, para entender as necessidades especiais dos passageiros”, conta Talita em entrevista ao Viajar é Simples.

Atualmente docente na Universidade de São Paulo (USP) do curso de Terapia Ocupacional, Talita participou do Projeto Universalidade e também fez sua tese de doutorado com o tema: Contradições e descontinuidades nos sistemas de atividade do transporte aéreo brasileiro: restrições às viagens e as estratégias de passageiros com deficiência, idosos e obesos.

Para o Projeto Universalidades, passageiros responderam pesquisas e foram acompanhados em voos – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Para os estudos, além de questionários, pessoas foram acompanhadas em viagens de avião pelo Brasil para ver quais eram as dificuldades encontradas. “Realmente, hoje, o passageiro obeso que não tem nenhuma dificuldade de locomoção está à margem, não há regulamentação que o proteja”, diz a professora. Na tese, ela considerou o IMC igual ou superior a 30 para indicação de obesidade e trabalhou com diversos perfis e diferentes índices, incluindo pessoas obesas sem nenhuma dificuldade de locomoção, como os entrevistados desta reportagem.

Talita explica que mesmo que a regulamentação atual não abranja o comportamento das companhias aéreas em relação aos obesos que não se enquadram como PNAE, é essencial que a situação dessas pessoas durante os voos seja estudada e melhorada porque não dá para negar o crescimento de peso da população do Brasil. “Com os estudos, concluímos vários pontos críticos nas viagens, são dificuldades, principalmente, dimensionais, como poltronas estreitas e banheiros pequenos”, explica.

A professora destaca, ainda, outras conclusões da tese em relação aos obesos, como dificuldade no uso do lavatório, movimentação difícil e constrangimento por contato corporal com outros passageiros e até para pedir o extensor. A profissional completa que algumas medidas simples poderiam ser tomadas para melhorar a situação dos obesos nos voos, como uma menção durante as instruções de segurança sobre o extensor.

Outro ponto que Talita toca é da fabricação das aeronaves. “Sabemos que a questão de espaço para as companhias aéreas é realmente complicada, porém, os aviões são encomendados por elas e, junto com os fabricantes, poderiam pensar em melhores soluções para todos os públicos”, diz.

De acordo com Marcelo, a Anac enviou o estudo Universalidade às companhias aéreas brasileiras e o órgão irá mais além. “O Ministério dos Transportes, através da Secretaria de Aviação Civil, junto com a Anac e a Secretaria de Direitos Humanos, acaba de contratar a equipe da UFSCar para encontrar soluções viáveis e resolver os problemas dos passageiros com dificuldades, incluindo os obesos”, destaca ele. O gerente de operações da Anac completa que os novos projetos vão começar a ter andamento em breve, mas ainda não há uma data específica para soluções.

Voar apertado é sinônimo de economia?
Gabriel, Renata, Mariana e Sabrina dizem que, dentre outros fatores, o preço é determinante na hora de comprar uma passagem. “Eu primeiro procuro o preço e, no desempate, fico com as companhias com assentos mais confortáveis, como Avianca Brasil e Azul. Acho absurdo ter que pagar mais por conforto. Conforto deveria ser item básico e não opcional”, conta Renata.

Ao contrário de Renata, Gabriel até acaba pagando mais caro se for preciso para ter um pouco de conforto. “O mais importante é o fator preço atrelado ao conforto, de modo que, se tenho Gol e Avianca Brasil fazendo o mesmo trecho, tenho tendência a considerar a passagem da Avianca, mesmo que até 30% mais cara que a da concorrente, pelo conforto que o serviço e a aeronave irão me proporcionar”, explica o rapaz.

Para ter uma ideia se realmente as companhias brasileiras apontadas como mais confortáveis e com melhores serviços pelos entrevistados e também as preferidas na pesquisa feita pelo Viajar é Simples, Azul e Avianca Brasil, têm preços de passagens muitos maiores que as concorrentes de menor prestígio com nosso público, Gol e Latam, usamos o site das empresas para comparar os valores de alguns bilhetes.

Passagens nacionais
A pesquisa de passagens foi realizada no dia 31 de agosto entre as 09h00 e as 10h20 da manhã. Para comparação de preços em voos nacionais, foi usado como base trechos de ida e volta entre São Paulo e Salvador, com saída do Aeroporto de Guarulhos, rota que Avianca Brasil, Azul, Gol e Latam fazem. Dois períodos diferentes foram selecionados para a pesquisa, o primeiro com ida dia 01 de outubro e volta dia 04 de outubro e, o segundo, ida 04 de outubro e volta 09 de outubro. Os valores foram considerados com taxas de embarque inclusas, tarifas mais baixas disponíveis e sem bagagem despachada. Tempo de voo e melhores conexões não foram levados em consideração.
O resultado pode ser visto na tabela abaixo:

Pela comparação, dá para observar que Gol e Latam conseguem manter valores constantes e que a Latam tem o menor preço entre todas as companhias e a Avianca apresentou os maiores valores. A Latam consegue oferecer um preço 54,77% inferior ao da Avianca Brasil para o primeiro período e 34,85% para o segundo período.
No momento da pesquisa, foi observado que se o passageiro tivesse flexibilidade de datas conseguiria valores mais competitivos na Avianca Brasil e Azul, sendo que na Gol e Latam os preços são bem parecidos independente da data para voos nacionais.

Passagens internacionais
Os valores de bilhetes nos trechos internacionais foram pesquisados no mesmo período e horário dos voos nacionais. A barreira encontrada para comparação é que as empresas não fazem as mesmas rotas. Então, a reportagem considerou voos entre os aeroportos de Guarulhos (SP) e de Viracopos (Campinas – SP) e do Estado da Flórida, nos Estados Unidos. A Gol ainda não tem, mas irá estrear voos para a Flórida, Miami e Orlando, em novembro deste ano, por isso, as datas escolhidas são a partir de novembro.

Como nem todas fazem os mesmos trechos, consideramos: voos diretos da Latam entre os aeroportos de Guarulhos e o de Orlando; voos diretos da Avianca entre os aeroportos de Guarulhos e o de Miami; voos diretos da Azul entre os aeroportos de Viracopos (Campinas – SP) e Fort Lauderdale e voos da Gol entre os aeroportos de Guarulhos e Orlando com conexão em Brasília. Tempo de voo e melhores conexões não foram levados em consideração. As tarifas selecionadas foram as mais baixas com direito a duas malas despachadas de 23 quilos. Os períodos de viagem escolhidos são: ida em 21 de novembro e volta em 28 de novembro de 2018 e ida em 04 de dezembro de 2018 e volta em 11 de dezembro de 2018. Todos os valores da tabela estão com as taxas de embarque inclusas.

Durantes as pesquisas, um fator notado é que as diferenças de preços entre as companhias aéreas são bem menores quando o assunto é passagem internacional. No primeiro período, a Azul apresentou as passagens mais baratas e a Avianca Brasil as mais caras, porém, a diferença de valores entre elas é de apenas 12,25%. Já no segundo período, a Gol apresenta as passagens mais baratas e a Avianca Brasil as mais caras, sendo que a de maior preço difere 28,6% da mais em conta. Ou seja, um cliente como Gabriel, que entre Gol e Avianca Brasil prefere pagar até 30% mais para viajar na companhia que acha mais confortável, neste caso, ele não teria problemas em gastar um valor que acha justo para ter um atendimento mais adequado às suas necessidades.

Da mesma maneira que nas passagens nacionais, outro fator notado é que se o cliente tiver flexibilidade de data, ele conseguirá voar com a companhia de sua preferência por valores melhores do que aqueles que precisam viajar em datas mais restritas. Tanto na simulação de compra de passagens aéreas nacionais como internacionais nenhuma das empresas estava com promoções especiais, que são períodos nos quais os valores podem ser ainda menores do que aqueles encontrados normalmente e uma boa alternativa para o cliente.

Para que os passageiros obesos não fiquem sujeitos ao desconforto para sempre quando não puderem viajar em datas com melhores preços em suas companhias aéreas preferidas, o advogado Emerson orienta que as pessoas tenham uma participação ativa para mudar o quadro atual. “Na questão da obesidade, até por uma certa vergonha quanto ao tema, acabam deixando de fazer qualquer tipo de manifestação, mas é preciso que haja reclamações formais para as companhias e a Anac, só assim o poder público pode perceber os problemas e criar políticas corretivas”, enfatiza. Enquanto isso, 18,9% da população brasileira, gente como Gabriel, Renata, Sabrina e Mariana, esperam que os estudos da Anac se transformem em resultados efetivos no cotidiano da aviação.

ENVIAR COMENTÁRIO

0 Comentários