O The Canadian cruza o país em uma viagem de 4.466 KM - Crédito: Sylvia Barreto

Cruze o Canadá de trem de leste a oeste

por: Sylvia Barreto
18 de dezembro 2018

Uma viagem de 4.466 quilômetros em quatro dias sem se preocupar em trocar de transporte, pegar avião, dirigir ou fazer e desfazer mala. A paisagem muda um pouco a cada manhã. O objetivo vai muito além de chegar ao destino final, ele passa pela jornada, por aproveitar todos os momentos e se encantar com o caminho. Essa é a proposta da Via Rail na viagem de leste a oeste no Canadá de trem, chamado de The Canadian.

Há 40 anos, a Via Rail transporta passageiros pelo Canadá em diversos roteiros diferentes. O The Canadian é o mais emblemático e longo de seus trajetos. Para aqueles que querem fazer a rota inteira de 4.466 km, o embarque e desembarque podem ser feitos nas cidades de Toronto, costa leste, e Vancouver, oeste. O Viajar é Simples fez a viagem de leste a oeste em outubro (2018), outono no Canadá, época de cores incríveis, um pouco de frio e, às vezes, neve.

Quem faz a rota completa dorme quatro noites no trem. A ideia de viver nesse meio de transporte por tantos dias pode parecer inusitada e, nas primeiras horas de viagem, é provável que se sinta deslocado. Como no Brasil quase não temos trens turísticos, as dúvidas antes de embarcar são muitas. Para deixar essa jornada mais confortável, a matéria tem todas as dicas para você atravessar o Canadá com a única preocupação de ver paisagens incríveis.

O trem para, mesmo que rapidamente, em 34 cidades – Crédito: Sylvia Barreto

O roteiro e a paisagem
Sem dúvidas, o trem sozinho não é a grande estrela desse roteiro, mas a paisagem sim. O The Canadian propicia ver o país por ângulos e de uma maneira que não seria visto por qualquer outro meio de transporte. As janelas são grandes, estão por todo o trem e são as verdadeiras televisões a bordo, pelo menos durante o dia. O trajeto passa por 34 cidades, as paradas são poucas e só é possível conhecer com mais tempo dois destinos além daqueles de embarque e desembarque: Winnipeg, em Manitoba, e Jasper, em Alberta.

Ao atravessar o Canadá de trem, o viajante pode observar a floresta boreal, os lagos do norte de Ontário, as belas paisagens ao redor de Jasper e as Montanhas Rochosas. A monotonia da viagem de trem pode parecer algo negativo no início, mas só ela permite que o passageiro sente e realmente observe aquilo ao seu redor.

No The Canadian, apesar das atividades de recreação, a maior parte do tempo é de ócio, algo que não conseguimos ter na vida agitada das grandes cidades com frequência. Além disso, não tem Wi-Fi no trem e, geralmente, a internet móvel dos celulares só funciona perto das cidades, ou seja, é uma maneira também de se desligar do mundo virtual e se concentrar realmente no espaço físico. Então, surgem as janelas e você acaba percebendo que a paisagem lá fora é o espetáculo.

Apreciar a paisagem emoldura pelas janelas é o grande atrativo do trem – Crédito: Sylvia Barreto

A paisagem muda de acordo com a época do ano porque o Canadá tem estações bem definidas. O período mais procurado para essa viagem de trem é o verão, quando quase não se vê neve ao longo do trajeto. No inverno, as temperaturas no Canadá estão bem baixas e a paisagem mais branca. Primavera e outono são períodos intermediários e com temperaturas mais amenas.

Durante uma boa parte da viagem, a paisagem é um pouco semelhante, com grades campos de plantações, porém, no trecho entre os arredores de Jasper e Vancouver, quando o The Canadian cruza as Montanhas Rochosas, a vista do trem entre a cordilheira é um espetáculo, obviamente, cheio de montanhas com rios e lagos transparentes que as cercam. São horas e horas para ficar de olhos bem abertos e com a câmera ou o celular carregados para boas fotos.

Montanhas Rochosas vistas do trem – Crédito: Sylvia Barreto

Encontro dos rios Thomson e Frasier – Crédito: Melanie Owensby

Como escolher a acomodação
É claro que como não estamos habituados a viajar de trem no Brasil muitas dúvidas surgem antes mesmo de comprar as passagens. A começar pelo tipo de assento ou cabine que será escolhido e no The Canadian há várias opções e tipos de vagão. A viagem pode ser dividida em trechos ou dá para ficar as quatros noites seguidas no trem. Um passageiro pode, por exemplo, embarcar em Toronto e desembarcar em Winnipeg para, alguns dias depois, embarcar novamente para ir até Jasper, desembarcar, ficar uns dias por lá e depois embarcar para Vancouver. Então, primeiro decida o que quer fazer, com ou sem desembarques no trajeto, para depois definir a acomodação, vai ver que o número de dias seguidos que irá dormir no trem influencia totalmente nessa escolha.

Poltronas da classe econômica – Crédito: Sylvia Barreto

O trem da Via Rail tem três tipos de classes, divididas em vagões, são elas: econômica, Sleeper Plus e Prestige. Na classe econômica não há cabines ou camas, apenas poltronas. Nos banheiros só existem vasos sanitários e pias, não tem chuveiro. Ou seja, viajar as quatro noites seguidas nesse tipo de acomodação exige bastante desprendimento, já que irá dormir sentado e não poderá tomar banho. Se você não for tão desencanado assim, esse tipo de assento só é viável em trajetos curtos, como entre Jasper e Vancouver. Quem decide fazer uma parada ou embarcar em Jasper sentido Vancouver, só irá passar uma noite no trem, então fica mais fácil utilizar esse tipo de acomodação. Também não há refeições inclusas na econômica, mas é possível compras sanduíches e petiscos a bordo ou pagar as refeições que desejar no vagão que serve como restaurante.

A classe Sleeper Plus tem vários tipos de acomodações com valores e configurações diferentes. As mais em contas são os beliches superiores, elas não têm janelas próprias. Depois, há os beliches inferiores, um pouco mais caros já que cada um tem sua janela. As configurações dessas acomodações mudam de acordo com o período. Durante o dia, os beliches inferiores viram duas poltronas espaçosas, à noite, é só puxar as duas e terá uma cama. O beliche superior pode ser completamente fechado durante o dia e só “virar cama” à noite. Ambos têm cortinas entre as camas e o corredor para maior privacidade.

Cabine Sleeper Plus para duas pessoas configurada para um passageiro durante a noite (duas primeiras fotos) e durante o dia (última foto) – Crédito: Sylvia Barreto

Pia e banheiro de cabine para duas pessoas na Sleeper Plus – Crédito: Sylvia Barreto

Amenities Sleeper Plus

Existem também as cabines para uma pessoa com paredes e uma cortina na porta. Durante o dia, fica configurada com uma poltrona, um vaso sanitário e uma pia. À noite, a poltrona é transformada em uma cama, a desvantagem é que ela cobre o vaso sanitário, sendo assim, se quiser ir ao banheiro à noite, precisa usar o do corredor ou guardar a cama.

As cabines para duas pessoas são um quarto mesmo, com porta e tudo. Porém, não há chaves para as portas, sendo assim, elas nunca ficam trancadas, de qualquer maneira, o The Canadian é bem seguro. Há duas camas formato beliche, um pequeno armário, pia no quarto e um espaço com porta para o vaso sanitário. Se desejar, durante o dia, as camas viram poltronas. Também é possível reservar uma cabine de duas pessoas para um único passageiro, que pagará o valor cheio, como se fossem dois clientes, para essa acomodação.

Cabine Sleeper Plus para uma pessoa na configuração noturna – Crédito: Sylvia Barreto

Cabine Sleeper Plus para uma pessoa na configuração diurna – Crédito: Sylvia Barreto

Beliche inferior nas configurações diurna e noturna – Crédito: Sylvia Barreto

Quem opta pela classe Sleeper Plus tem acesso aos banheiros com vasos sanitários e pias, mais usados para quem opta pelos beliches, e espaços com chuveiros para banho. Nenhuma das acomodações da Sleeper Plus, mesmo as cabines, têm chuveiro dentro, é preciso ir até os chuveiros comunitários desses vagões. Não há com o que se preocupar, é difícil ter que ficar esperando alguém tomar banho antes de você e os cômodos são bem limpos. A única coisa a ser ressaltada é que o espaço em si é bem pequeno, pessoas altas ou gordas podem ter dificuldades. A água é quentinha, só é preciso ligar o chuveiro e esperar um pouquinho para esquentar. Além disso, o fluxo não é contínuo, para a água sair, aperta-se um botão e ela dura alguns minutos, quando acaba o tempo, é só apertar outra vez e fazer isso até terminar o banho.

Todos que estão nos vagões Sleeper Plus, além do acesso ao chuveiro, têm toalhas, kit de banho, travesseiros, fronhas e cobertores inclusos. Café da manhã, almoço e jantar fazem parte do pacote acompanhados por bebidas não alcoólicas. Nos intervalos das refeições, café, suco, água e algumas guloseimas são deixadas em um salão de uso comum com mesas. Como tem lugar para dormir e chuveiro, o Sleeper Plus é ideal para aqueles que vão fazer a rota completa sem desembarcar.

Cabine Prestige – Crédito: Divulgação

Quem procura por ainda mais conforto, pode ficar nas cabines Prestige. Elas são as maiores e mais luxuosas acomodações do The Canadian. São as únicas que possuem porta que pode ser trancada, cama de casal, banheiro com chuveiro, televisão, DVD e frigobar. Todas as refeições também estão inclusas e são feitas no mesmo vagão da Sleeper Plus, porém, com assentos reservados. Há um bar próprio para quem fica na Prestige.

Cada uma das classes tem um vagão com segundo andar todo de vidro, o panorâmico, para que os passageiros possam se sentar e aproveitar melhor ainda a paisagem. Há poucas poltronas em cada um, dispostas como em um ônibus, as primeiras de cada fileira têm uma mesa acompanhando.

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Compra da passagem
Agora que já sabe como as acomodações funcionam, dá para comprar a passagem. A aquisição pode ser feita pelo site da Via Rail em português (https://international.viarail.ca/pt/) ou em uma agência de viagem. Apesar do site da Via Rail ter a versão em português, na da compra o cliente é direcionado para uma página de reservas do Canadá, sendo assim, o passageiro não é protegido pelo Código de Defesa do Consumidor do Brasil. Para ter melhor suporte e proteção, o mais indicado é mesmo comprar com agentes e operadoras brasileiros que revendem o produto.

Se a escolha for fazer a rota completa do The Canadian de modo contínuo, só descendo do trem para visitar as paradas, o embarque pode ser em Toronto com desembarque em Vancouver e vice-versa. Caso queira desmembrar a viagem em algumas partes, compre por trecho. É possível, por exemplo, adquirir o trecho Toronto-Winnipeg e ver quando será o próximo trem com saída de Winnipeg e então comprar o trecho seguinte que desejar, que pode ser, por exemplo, Winnipeg-Edmonton, Winnipeg-Jasper ou Winnipeg-Vancouver.

Estação de Winnipeg – Crédito: Sylvia Barreto

Quando a viagem do The Canadian é desmembrada, o turista tem a oportunidade de conhecer melhor vários destinos. As paradas do trem são rápidas e não é possível visitar todos os atrativos de nenhuma cidade, quem faz o caminho de quatro noites direto, aproveita mesmo as paisagens já que as paradas em si são limitadas. Porém, dá para conhecer bem Toronto e Vancouver, pontos finais de partida e chegada, o ideal é reservar uns três dias para cada uma dessas metrópoles antes de embarcar ou depois do desembarque.

Não há saídas todos os dias em todas as cidades, então, é importante comprar as passagens com bastante antecedência, principalmente, no verão, os lugares esgotam rápido, ainda mais nas classes Sleeper Plus e Prestige. O ideal seria, pelo menos, seis meses de antecedência para as cabines. E, lembre-se, o verão é a estação mais disputada.

O que saber antes de ir
É importante checar a franquia de bagagem da sua acomodação. Como o espaço das cabines é pequeno, não dá para embarcar com malas enormes. Essas maiores, de 23 quilos, nas cabines para uma ou duas pessoas da Sleeper Plus, por exemplo, podem ser despachadas. Nesse mesmo tipo de acomodação, só são permitidas malas de até 11,5 quilos. Ou seja, se você tiver saído do Brasil com uma mala de 23 quilos, deixe uma mochila ou uma bagagem menor para usar no trem e despache a grande.

O ideal é colocar na mala roupas confortáveis e dependendo da estação, ter peças para o frio e um bom pijama, ainda mais se ficar em um beliche, acomodações com menor privacidade que as cabines. Salto alto nem pensar, o trem chacoalha bastante e quedas podem ser evitadas com sapatos baixos. Considere que em alguns meses venta bastante nas cidades de embarque e nas paradas, então também coloque na bolsa um gorro e um par de luvas.

Um dos vagões panorâmicos do The Canadian – Crédito: Sylvia Barreto

No trem da Via Rail não é permitido fumar. Porém, há paradas curtas e outras maiores nas cidades de Capreol, Hornepayne, Sioux Lookout, Winnipeg, Saskatoon, Edmonton, Jasper e Kamloops nas quais os passageiros podem aproveitar para fumar. Alguns desses locais, como Hornepayne são bem rústicos e talvez cigarros e isqueiros não sejam encontrados com facilidade, o ideal é levar tudo com você quando embarcar. Em outros destinos, a parada é tão rápida que não daria tempo de comprar nada.

Não planeje muita coisa para as paradas, caso não vá desmembrar a viagem em trechos, ou compre passagens de avião ou qualquer outro meio de transporte para o dia de seu desembarque. O The Canadian usa as mesmas ferrovias dos trens de carga, que são enormes. Por isso, há congestionamentos e até problemas com a estrutura das vias que demoram um pouco para serem resolvidos e o trem pode ficar horas parado.

No trajeto que o Viajar é Simples fez, a previsão era de parar por pouco mais de duas horas no meio da tarde em Jasper, assim, os passageiros conseguiriam conhecer um pouco da cidade, porém, com os atrasos, a parada só ocorreu depois das 23h00, quando tudo estava escuro e fechado, e o tempo no local foi reduzido. A chegada em Vancouver, prevista para o fim da tarde, só aconteceu às 23h00.

Em casos de atrasos, como o ocorrido para a chegada em Vancouver, os passageiros das classes Sleeper Plus e Prestige só tinham direito ao café da manhã e almoço no dia do desembarque. Porém, como o tempo de espera se estendeu além do previsto, foi oferecido um jantar sem custo adicional e isso acontece sempre que há atrasos.

O embarque
Quando as passagens são compradas, o passageiro recebe informações e um número de reserva. O bilhete pode ser retirado na estação de embarque com um pouco de antecedência, que pode ser no mesmo dia. Clientes das classes Economic Plus, Slepper Plus e Prestige que embarcam em Toronto têm direito a usar um lounge executivo no dia de embarque por quantas horas for necessário. Quem desembarca em Toronto da classe Prestige pode também usar o lounge e os demais mencionados só podem utilizá-lo no desembarque se houver espaço, a preferência é para quem embarca.

No lounge da Union Station de Toronto, há uma área reservada para quem é da classe Prestige. Todos podem usufruir de máquinas de bebidas, como café, cappuccino e chocolate quente, de sucos, refrigerantes, água e frutas. O espaço tem Wi-Fi e poltronas confortáveis. Como o trem sai de Toronto bem tarde, não é servido jantar no dia. O ideal é fazer a refeição em algum restaurante local e descansar um pouco antes do embarque no lounge. Pouco antes do embarque, funcionários da Via Rail entram na sala para fazer o check-in dos passageiros e distribuem o horário do café da manhã do dia seguinte.

Lounge executivo na Union Station, Toronto – Crédito: Sylvia Barreto

Se tiver malas para despachar, dirija-se com antecedência até a área específica da Via Rail na Union Station, em Toronto ou em outras cidades, para fazer o procedimento. A cada bagagem, o passageiro recebe um comprovante e as retira no destino final. Se houver mais volumes que sua cota de acordo com a classe tarifária, pode pagar o excesso. Caso o passageiro queira deixar a bagagem que levará na cabine nesse local para passear pela cidade e retirá-la antes do embarque, também pode fazê-lo.

No momento do embarque, olhe na passagem qual seu carro e vagão e um funcionário na plataforma de embarque irá te dizer para qual lado seguir. O trem é bem comprido, então, fique atento para embarcar no local correto e evitar andar mais do que o necessário com sua mala.
É importante lembrar que o trem é espaço com serviços de um hotel, porém, como está em constante movimento, se precisar de alguma medicação, só terá acesso nas paradas mais longas. Portanto, leve remédios básicos e, se usar algum de uso contínuo, a quantidade necessária para quatro dias a bordo.

Primeiras impressões do trem
Pense que o trem tem um espaço reduzido, sendo assim, os corredores são estreitos. Nos primeiros momentos, vai estranhar um pouco que para uma pessoa passar pelo corredor, outra que está no sentido oposto deve parar e ficar no canto mais próximo. Não dá para passar dois passageiros juntos. Logo no embarque, o responsável pelo seu vagão irá te abordar para dar algumas instruções, coisas como onde fica o chuveiro mais próximo (no caso da Sleeper Plus) e onde pode encontrá-lo em caso de necessidade.

A primeira noite no trem pode ser um pouco estranha. O veículo fica quase o tempo todo em movimento e, às vezes, para ou arranca bruscamente, o que acaba balançando bastante e fazendo barulho, por isso, nas cabines há tampões de ouvido disponíveis. Para quem vai ficar em camas, elas são bem confortáveis, porém, os cobertores têm enchimento, que podem, no meio da noite, se concentrar em apenas um lado conforme o passageiro se mexe. Cada cabine tem regulagem de temperatura, certifique-se de deixá-la ideal para dormir e, na primeira noite, pode ser um pouco difícil acertar.

Para quem nunca fez uma viagem dessas de trem, tudo vai ser um pouco estranho no começo porque é novidade. Mas no dia seguinte você já começa a conhecer o trem, suas peculiaridades e a se acostumar com a rotina.

Cabine de chuveiro nos corredores – Crédito: Sylvia Barreto

As refeições
O The Canadian da Via Rail tem um vagão dedicados às refeições. Café da manhã, almoço e jantar acontecem em dois turnos diferentes. Você vai saber o turno da sua primeira refeição se for das classes Sleeper Plus e Prestige quando fizer o check-in. Hóspedes da classe Prestige têm preferência. Nas demais refeições, os garçons dirão qual turno têm disponível para a seguinte e você poderá escolher. Às vezes, quando está na Slepper Plus, o espaço para determinado turno já acabou quando chega sua vez de optar e tem que ficar com aquele que está disponível. Isso acontece porque há um número limitado de lugares no vagão que serve como restaurante.

As mesas são de quatro lugares, então, você sempre irá se sentar de acordo com a ordem de chegada, com pessoas desconhecidas. É uma boa oportunidade para conhecer novas pessoas. Muitos passageiros são idosos e moram no Canadá mesmo. Os canadenses, sobretudo, usam bastante o trem como um meio de transporte para visitar amigos e familiares em outras cidades e já estiverem no The Canadian muitas vezes.
No café da manhã, há sempre uma omelete do chef disponível que varia diariamente ou ovos feitos ao gosto do passageiro com uma carne (linguiça ou bacon, por exemplo), torradas frescas e hash browns (batata ralada bem fina e frita). Também há a possibilidade de escolher waffles com acompanhamentos. Para beber, café, leite, chá e suco.

Vagão restaurante do The Canadian – Crédito: Sylvia Barreto

No almoço e jantar, sempre há uma opção com carne vermelha, outra com peixe, uma de frango e uma vegetariana. Todas são servidas com pães e acompanhamentos. O cliente ainda tem direito a uma entrada, que pode ser a sopa ou salada do dia, e uma sobremesa, para a qual existem, geralmente, três opções. Os pratos são sempre saborosos e bem preparados. As bebidas não alcoólicas estão inclusas e quem opta por bebidas alcoólicas paga no final da refeição direto para o garçom. Se tiver uma dieta com restrições e precisar de refeições especiais, faça a requisição com até 48 horas de antecedência do embarque.

No almoço e jantar há, pelo menos, três opções de sobremesa – Crédito: Sylvia Barreto

Uma das opções de café da manhã – Crédito: Sylvia Barreto

Entretenimento
O caminho e a paisagem são o grande entretenimento do trem. Porém, há horas que o trem para ou durante a noite que se sente falta de outras coisas para fazer. Por isso, o The Canadian tem opções de lazer. Nos vagões comuns, com mesas, tem livros, revistas e jogos de tabuleiro. É uma boa também levar seu próprio livro.

Em horários marcados, são oferecidas degustações, como de cerveja e vinho, e música ao vivo. Cada noite a apresentação musical costuma acontecer em um vagão de classe diferente e são bem animadas. Todas essas atividades são anunciadas com antecedência por alto-falantes em todos os locais do trem, inclusive dentro das cabines e também há avisos escritos em quadros espalhados pelo veículo.

As paradas
Quem viaja direto de Toronto para Vancouver ou vice-versa, tem duas paradas mais longas nas quais é possível descer e conhecer a cidade, caso não aconteça nenhum atraso. São elas: Winnipeg e Jasper. As demais são bem rápidas, em Edmonton e Hornepayne o trem até fica um pouco mais nas estações, porém, não há muito para ver ao redor. Edmonton é uma cidade grande, mas a estação fica longe do centro. Os passageiros são avisados que está chegando o momento de cada uma delas por anúncio em alto-falantes em todo o trem.

Em Winnipeg, a estação fica bem no coração da cidade e perto de várias atrações famosas do destino. A parada, caso não haja alterações, dura em torno de três horas. É no destino também que a tripulação do trem muda, ou seja, todos os colaboradores, inclusive o responsável pelo seu vagão, serão outros a partir deste ponto.

Canadian Museum for Human Rights, Winnipeg – Canadian Museum for Human Rights

Winnipeg é capital da Província de Manitoba e tem pouco mais de 650 mil habitantes, que é uma cidade populosa para padrões canadenses. Toronto e Vancouver, por exemplo, têm, respectivamente, 2,6 e 2,3 milhões de moradores. A estação de Winnipeg fica a dez minutos de caminhada de um grande símbolo local: The Forks, o encontro dos rios Red e Assiniboine. O ponto era muito usado por índios e, depois, por colonizadores no passado para diversos negócios, como o de peles. Há 30 anos foi revitalizada, ganhou comércio, museu e até um mercado, o The Forks Makert, aliás, deixe espaço para, antes de retornar ao trem, comer alguma coisinha por lá, tem comidas típicas canadenses e de outros países, como Índia.

Dentre as construções na área de The Forks, uma delas, com uma torre alta, chama a atenção, é o Canadian Museum for Human Rights. De acordo com o horário da parada, veja se o museu está aberto para visitá-lo, caso não esteja, tire pelo menos algumas fotos de sua impressionante fachada.

Outra parada que, se nenhum atraso acontecer, dá para sair do trem e conhecer a cidade, é Jasper. Ela fica no coração do Jasper National Park, famoso por suas geleiras, vida selvagem abundante, cachoeiras, cânions, floresta e lagos de águas cristalinas. O parque é considerado Patrimônio Natural da UNESCO. Em duas horas dá para conhecer tudo isso? Claro que não, mas o turista consegue visitar o centrinho de Jasper, que parece ter parado no tempo, conservando sua história. Com um pouco de sorte, talvez você encontre alces e veados vagando por lá.

Por conta das diversas atrações que o parque reserva, é muito comum que os turistas desembarquem em Jasper e, depois de ficar uns dias, sigam para Vancouver ou Toronto. É uma ótima opção, e, como já mencionado antes, veja quando o trem The Canadian irá passar pelo local novamente para deixar a passagem reservada.

Experiência única
Ficar quatro dias dentro de um trem pode ser um pouco monótono, ainda mais para quem nunca fez um passeio desse tipo. Mesmo com paisagens lindas, às vezes pode sentir um pouco de falta de mais agitação. É a nossa vida cotidiana de milhares de compromissos nos chamando. Não atenda, leia um livro, conheça pessoas e, principalmente, aproveite para descansar e desligar a mente enquanto olha uma bela paisagem. Afinal de contas, quantas vezes você terá a oportunidade de atravessar um país de trem?

Da janela do trem, paisagens para nunca mais esquecer – Crédito: Melanie Owensby

Serviço
Site: https://international.viarail.ca/pt/

Quem leva?
A compra com agentes e operadoras brasileiros protege o consumidor. Revendedores especializados também podem dar todo o suporte ao cliente, inclusive nas questões de atraso e formatação de pacotes com hotéis. Veja duas opções abaixo:
Personal Canadá
Site: canadadetrem.com.br
Telefone: (41) 9999 2930 / (41) 3018 5580 (Curitiba e região) / 0800 600 5580 (demais regiões)
Trains & Tours
Site: https://lufthansacc.com/pacotes-de-viagem/destino/america-do-norte/canada/
Telefone: (11) 4878 1085

Valores: os valores das passagens sofrem alterações de acordo com as datas. Para ter uma base, o assento mais barato da classe econômica para um trecho entre Toronto e Vancouver custa a partir de 300 dólares canadenses com picos de até 600. No Sleeper Plus, a cama mais barata, que seria o beliche superior, pode passar um pouco dos 1.000 dólares canadenses na alta temporada. As cabines para uma pessoa podem chegar ao redor de 1.700 dólares canadenses e, para duas, 2.600. Já na Prestige, para duas pessoas o custo fica próximo dos 9.300 dólares canadenses. A Via Rail tem passagens com desconto para todas as saídas, fique atento.

Como chegar: para embarcar em Toronto, a Air Canada é a única companhia aérea que tem voos diretos do Brasil, com saídas de São Paulo. Caso embarque ou desembarque em Vancouver, a Air Canada tem voos entre Vancouver e Toronto também. Site: https://www.aircanada.com/ca/en/aco/home.html

Onde ficar antes do embarque e depois do desembarque:
Toronto – se puder, fique em um hotel próximo à estação de trem, a Union Station, que é bem central. O Delta Hotels Toronto fica ao lado dela, oferece diferentes tipos de quartos com vistas para o Lake Ontario ou para a cidade. Além disso, está a uma quadra da CN Tower e do aquário da cidade. Site: https://www.marriott.com.br/hotels/travel/yyzdl-delta-hotels-toronto/

Vista de quarto no Delta Hotels Toronto – Crédito: Sylvia Barreto

Vancouver – A três quilômetros da Pacific Central Station, local de embarque e desembarque da Via Rail em Vancouver, fica o hotel The Burrard, na agitada Burrard Street. O hotel é todo moderno com um átrio aberto cheio de árvores e plantas. Fica a poucas quadras da baía da cidade e de atrativos como Grandville Island. Site: https://theburrard.com/

The Burrard Hotel em Vancouver – Crédito: Sylvia Barreto

*A editora viajou a convite da Via Rail com apoio da Air Canadá

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