Curta as delícias do inverno em Monte Verde (MG)

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20 de julho 2011

A 1600 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, está encravada a pequena Monte Verde, distrito de Camanducaia, ao sul de Minas Gerais. Baixa temperatura é sua marca registrada. Só no inverno de 2011, os termômetros da cidade atingiram até 2ºC negativos.
Os costumes trazidos pelos primeiros moradores, o casal letão Verner Grinberd e Emilia Grinberd, e pelos letões, alemães, suíços e italianos que foram chegando depois, colaboram para o ‘ar europeu’ que se respira em Monte Verde. Mas a vila tem personalidade e sotaque próprios. A hospitalidade, por exemplo, é típica do povo mineiro. Basta ir a uma das casas de chá ou entrar em um dos pontos de venda de queijos e vinhos, localizadas na principal avenida da estância, para ter certeza que o clima pode ser suíço, mas o prazer em receber é do autêntico mineiro. Ninguém sai sem “provar um bocadinho”.
Monte Verde tem belas casas em estilo europeu, morros, pedras, picos, cerca de 170 hotéis e pousadas, e inúmeros bares e restaurantes que encantam tanto pela simplicidade da comida mineira como pelo sofisticado fondue. Para os paulistanos, uma boa notícia, ela fica a apenas 166 quilômetros da capital São Paulo.

Natureza Privilegiada
Localizada na porção sul da Serra da Mantiqueira, Monte Verde é um paraíso ecológico protegido por lei. Parte de seus 650 hectares está incluso na Área de Proteção Ambiental (APA) Fernão Dias, que foi criada para preservar os mananciais da região. O rio mais importante é o Jaguari, considerado um dos cinco melhores rios para rafting do país.
A vegetação de Monte Verde faz parte dos últimos 7,5% restantes da Mata Atlântica. A flora é rica: líquens, musgos e bromélias, entre outras plantas silvestres, são emoldurados pelas centenas de araucárias que marcam a região. Algumas são centenárias e há registros de árvores com mais de 300 anos. Além da mata nativa, há uma extensa área de reflorestamento, formada por pinheiros e eucaliptos. Caminhando pelas trilhas, o turista pode ser surpreendido por esquilos, veados, tucanos e beija-flores, entre outros animais silvestres.
Como se não bastassem as montanhas, os jardins da vila também são caprichados. A flor oficial de Monte Verde é a hortênsia, que dá um colorido todo especial à região com a chegada da primavera, principalmente a partir de novembro.
Para conhecer tudo isso, ninguém precisa suar a camisa. Com seu clima seco e frio, Monte Verde oferece dias ensolarados com temperatura agradável o ano todo. Já para as noites, é melhor levar agasalhos quentinhos e se preparar para degustar um bom fondue, namorar em frente à lareira e dormir aconchegado nos edredons. Mesmo no verão, depois do pôr-do-sol, a temperatura pode cair para os 14º C. No inverno, o frio pode chegar a –8º C, o que só reforça o clima europeu da região. Nessa época do ano, vale a pena fazer um esforço e pular da cama cedo só para apreciar o visual dos gramados embranquecidos pelas geadas.

Faça pelo menos uma trilha
Quem esta em Monte Verde não pode deixar de fazer pelo menos uma de suas trilhas e se aproximar da natureza. São cinco picos principais: Pedra Redonda, Pedra Partida, Chapéu do Bispo, pico do Selado e Platô. Na verdade, as caminhadas (ou trekking) são uma das melhores maneiras de conhecer a região. Estas são as oito trilhas principais da região, por ordem de dificuldade e tempo estimado para completar o percurso:
Chapéu do Bispo (1h, fácil; altitude: 1.955 metros) – Ótimo passeio para toda a família, a trilha até a base da pedra do Chapéu do Bispo é muito fácil de ser percorrida, podendo ser feita por crianças. Já chegar ao topo da pedra exige mais destreza e preparo físico.
Corredeiras do Itapuá (1h, fácil) – Acompanha o córrego do Cadete e, por isso, é pontuada por cachoeiras. Para vê-las melhor, é necessário abandonar a trilha principal e seguir pelas diversas entradas que levam à margem esquerda do rio.
Pedra Redonda (1h e 30’, intermediária; altitude: 1.950 metros) – É a trilha mais popular de Monte Verde. A subida é íngreme e o terreno, irregular, mas vale a pena chegar até o fim. O cume da pedra é quase um terraço natural, de onde se tem uma vista de 360º da região. O vento no alto é frio e bastante forte, portanto é melhor levar agasalho, de preferência impermeável.
Platô (1h e 40’, intermediária; altitude: 1.945 metros) – Esta subida exige fôlego e cuidado para não torcer os pés nas suas pedras irregulares. É a segunda trilha mais movimentada de Monte Verde e possui vários mirantes em toda a sua extensão, ótimos para apreciar a paisagem e descansar.
Pedra Partida (2h e 45’, avançada júnior; altitude: 2.046 metros) – Emoção não falta neste passeio: em alguns trechos, o caminho acompanha a crista da serra e, por isso, é bastante estreito, desnudando penhascos de mil metros de altura. É melhor fazer a trilha acompanhado por guias ou, pelo menos, em grupo. O presente para os corajosos é uma vista deslumbrante. Em dias claros, é possível até mesmo ver a Pedra do Baú, localizada em Campos do Jordão.
Selado (4h, avançada júnior; altitude: 2.080 metros) – Alcançar o platô deste pico, o mais alto do sul de Minas Gerais, não é tarefa fácil, mas compensa. Apesar de ser uma das trilhas mais bonitas da região, ela não é muito movimentada e, em alguns trechos, está quase fechada, o que desaconselha fazer o percurso sozinho. Do alto, descortina-se toda a região e também parte do Vale do Paraíba.
Fazenda Santa Cruz (4h, avançada júnior; altitude: 1.300 metros) – Quem gosta de água e está em forma não pode deixar de fazer esta trilha, que dá acesso a uma das poucas cachoeiras de Monte Verde. Como a subida é acentuada, é recomendável usar bastões de caminhada e tomar cuidado nas descidas, para não forçar os joelhos.
Pico da Onça (5h, avançada plena; altitude: 1.940 metros) – Ainda pouco explorada, une São Francisco Xavier, no fundo do vale, a Monte Verde, no alto das montanhas. É um passeio que exige bom condicionamento físico e conhecimentos de navegação ou então a companhia de um guia. O ponto alto é a Floresta dos Duendes: localizada em um vale úmido e profundo e coberta pela copa cerrada das árvores, é fresca e está sempre na penumbra.

Algumas dicas para quem for caminhar
•    Sempre leve uma garrafa com água e mantenha-se constantemente hidratado. Para as trilhas mais longas, leve também um lanche.
•    Não esqueça o repelente e o protetor solar.
•    Agasalhos impermeáveis, que mantêm a temperatura do corpo, protegem da umidade e “cortam” o vento, são os mais recomendáveis.
•    Nada de estrear o tênis novo! Prefira calçados já usados e confortáveis, com uma boa folga entre a ponta e os dedos.
•    Se sair à tarde, leve uma lanterna potente e confiável, com estoque extra de pilhas.

Lazer na natureza
O divertimento pode ser mais ou menos radical, mas é garantido. Não importa o estilo, quem vai para Monte Verde tem muito o que fazer – e sempre rodeado por muito verde. A natureza está presente mesmo nos espaços internos: basta olhar por uma janela ou uma porta para avistar os picos sinuosos da Serra da Mantiqueira.
Conheça algumas opções de lazer da região:
Rafting e acquaride – Monte Verde é um destino especial para quem curte enfrentar corredeiras a bordo de um barco inflável ou em boias. O rio Jaguari é considerado um dos cinco melhores do país para a prática do rafting e do acquaride, também conhecido como boia cross. O percurso deve ser feito sempre na companhia de guias especializados, que fornecem também o equipamento necessário para a prática segura desse esporte que exige estômagos fortes.
Escaladas em rocha / rappel – Alguns picos da Serra da Mantiqueira são propícios para a prática destes esportes. Monte Verde tem vias clássicas e esportivas, das quais sete com proteções fixas e duas para proteções móveis, distribuídas na Pedra Redonda, no Chapéu do Bispo e no caminho para o pico do Selado. Para quem está começando ou quer aprimorar suas habilidades, a sugestão é fazer uma clínica de escalada. Se subir não é o seu forte, a opção é o rappel, em que a pessoa desce os paredões de montanhas e cachoeiras pendurada em cordas presas à chamada “cadeirinha”, uma espécie de cinto de segurança. Tanto as escaladas como o rappel devem ser praticados com o apoio de monitores e guias.
Cachoeira dos Pretos – Que tal um piquenique diante da maior queda d’água do Estado de São Paulo? Distante apenas 31 quilômetros de Monte Verde e com 154 metros de altura, a cachoeira dos Pretos está localizada em Joanópolis (SP).  Saindo de carro de Monte Verde, é fácil chegar ao local, que possui piscina natural, bicas para banho, banheiros, lanchonete e estacionamento.
Cascata Siriema – A única queda d’água urbana de Monte Verde é a cascata batizada com o nome de uma ave pernalta que, adulta, pode chegar a quase um metro de altura e cujo canto tem alcance superior a um quilômetro. Preservada pelos moradores das redondezas, a cascata possui cinco metros de altura e é uma ótima pedida para se refrescar nos dias mais quentes.
Bosque do Gato de Botas – Cenário das filmagens do filme de mesmo nome, o bosque está localizado próximo à roda d’água e é uma ótima pedida para quem deseja descansar sobre a grama, à sombra das árvores.
Cavalgadas – Na vila, existem vários pontos de aluguel de cavalos, incluindo animais bem mansos, indicados para crianças e novatos na arte de cavalgar. O turista pode optar por passeios individuais ou em grupo, com o apoio de guias.
Mountain bikes – Alugar uma bicicleta é a melhor opção para quem quer desbravar a região sobre duas rodas, distante de motores barulhentos e escapamentos. O passeio pode ser feito com o acompanhamento de guias.
Quadriciclos – Não é à toa que Monte Verde possui uma das maiores frotas de quadriciclos do país. Menos radicais que as motos e mais emocionantes que os jipes, esses veículos são uma ótima opção para se aventurar e se divertir nas ruas e trilhas da região. O treinamento oferecido pelos monitores é suficiente para aprender a manobrar os quadriciclos, que são bem fáceis de guiar.
Motos – Em Monte Verde é comum ver adeptos de motocross, que se deliciam com o terreno acidentado da região, que oferece trilhas de todos os níveis de dificuldade. É possível também alugar motocicletas na vila, para passeios individuais ou em grupo, com ou sem o acompanhamento de guias.
Jipes – Para quem fica cansado só de olhar as montanhas e não se anima a subi-las a pé, uma boa opção é contratar um passeio de jipe. Por trilhas acidentadas, os 4×4 conseguem chegar a vários pontos turísticos da região.
Patinação no gelo – Com um clima tão europeu, Monte Verde não podia deixar de oferecer as emoções de deslizar sobre o gelo. A pista é de última geração e fornece patins do número 27 ao 47, portanto é diversão para a família toda.  A pista fica aberta durante todo o mês de julho, abre às 10h00 e nos dias de semana funciona até 21h00 e nos finais de semana até às 22h00. O valor por pessoa para patinar é R$ 40, adulto ou criança. Informações: Av. Monte Verde, s/nº, (35) 3438 1440.

O sabor das montanhas
O charme da vila, as atividades ao ar livre, o tempo que passa sem pressa – tudo em Monte Verde parece conspirar para despertar o prazer da boa mesa. A gastronomia sempre foi um dos pontos fortes da vila, que oferece o que há de melhor da cozinha mineira e, sem perder de vista suas origens, também delícias da culinária europeia.
A excelência da gastronomia local começa pelos ingredientes. Os restaurantes utilizam produtos da região, muitas vezes cultivados sem o uso de agrotóxicos e outros aditivos. O pinhão, fruto das araucárias abundantes nas montanhas, aparece nos cardápios especialmente na época da colheita (de abril a agosto), transformado em pães e farofas, por exemplo.
A truta é outro exemplo de produto local que faz sucesso entre os visitantes. Da mesma família que o salmão, esse peixe chegou ao Brasil em meados do século passado, com ovos importados da Escandinávia, e adaptou-se bem nas regiões de clima mais frio, como a Serra da Mantiqueira. A truta é rica em proteína, cálcio, fósforo, sais minerais, vitaminas e ácidos graxos poli-insaturados ômega 3, que ajudam a reduzir o nível de colesterol “ruim” (LDL). Além disso, é um dos poucos peixes que podem ser consumidos sem risco de contaminação, porque apenas sobrevive e se reproduz em águas puras, livres de qualquer tipo de poluição.
Em Monte Verde, a truta foi introduzida por Mathias Hamacher, na década de 60. Ele e sua família também mantêm uma criação de javalis, cuja carne já é apreciada em restaurantes de culinária contemporânea. Como no caso da truta, a região favorece a criação de javalis.
Bem menos exóticos que os javalis, os fondues têm presença garantida no cardápio de vários restaurantes. O prato criado na Suíça é uma opção mesmo nas noites frescas do verão de Monte Verde e é preparado em diversas versões, salgadas e doces, todas de dar água na boca.
Para quem prefere uma comidinha caseira, a sugestão são os pratos típicos da cozinha mineira, como o leitão à pururuca. Há ainda restaurantes especializados em culinária alemã, italiana e portuguesa e, para uma pausa no meio da tarde, casas de chá, cafeterias e lanchonetes.
E ninguém pode sair de Monte Verde sem provar pelo menos um docinho! Entre os destaques estão o strudel, sobremesa popular na Europa Central, e as sobremesas à base de morangos e de chocolate, como as servidas nos cafés e casas de chá da vila.

Serviço

Informações turísticas
Associação de Hotéis e Pousadas de Monte Verde
www.ahpmv.com.br

Como chegar até Monte Verde saindo de:

– São Paulo (SP) – distância de 166 quilômetros
Saindo de São Paulo-SP, siga pela Rodovia Fernão Dias (BR-381). Passe por Atibaia-SP, Bragança Paulista (SP) e Extrema (MG), até chegar em Camanducaia (MG). Entre na cidade de Camanducaia (saída 908) onde encontrará placas que indicam o caminho até a estrada para Monte Verde;

– Campinas (SP) – distância de 160 quilômetros
Seguir pela Rodovia Dom Pedro I (SP-065) em direção a Jacareí-SP. Após 60 quilômetros, entre a esquerda na Rodovia Fernão Dias, sentido Belo Horizonte (MG), percorrendo mais 68 quilômetros até a cidade de Camanducaia (MG). Entre na cidade de Camanducaia onde encontrará placas que indicam o caminho até a estrada para Monte Verde;

– Rio de Janeiro (RJ) – distância de 486 quilômetros
Vá pela Via Dutra até o km 186 e entre na BR-459, em direção a Pouso Alegre (MG). Depois de percorrer 142 quilômetros, entre a esquerda na Fernão Dias e siga mais 69 quilômetros até Camanducaia. Outra alternativa, mais longa porém mais segura, é seguir pela Via Dutra até a altura do km 72  em Jacareí (SP), pegar a Rodovia D. Pedro I (SP-065) até Atibaia (SP) e entrar à direita na Fernão Dias (total de 541 quilômetros até Monte Verde);

– Belo Horizonte (MG) – distância de 483 quilômetros
Utilize a Avenida Amazonas para sair de Belo Horizonte e prossiga até entrar na Rodovia Fernão Dias, rumo a São Paulo; a partir daí, continue sempre em frente, até a cidade de Camanducaia (MG).

Onde Comer

Restaurante Mont Vert
Especializado em fondues, trutas e filés, tem diariamente no jantar o Rodízio de Fondue que custa R$ 4,90 por pessoa e oferece todos os fondues da casa (de queijo, filé mignon, filé de frango, truta e chocolate) servidos à vontade.
Endereço: Rua Rolinha, 71
Informações: (35) 3438 2083

VIlla Donna Restaurante
O Villa Donna é o primeiro restaurante com conceito de bistrô em Monte Verde, onde a convivência e as relações pessoais têm tanta importância quanto à qualidade do serviço e de seus pratos. O cardápio artesanal oferece risotos, com destaque para o de pinhão (R$ 38 individual) massas, carnes e acompanhamentos.
Endereço: Rua Rolinha, 33 – esquina com a Av. Monte Verde
Informações: www.villadonna.com.br e (35) 3438-1881

A Galinha da Roça
Quem quiser provar a típica comida mineira não pode deixar de ir ao Galinha da Roça. Tem opções como o tutu, leitão à pururuca, feijão tropeiro, arroz carreteiro e o delicioso frando na panela de ferro, prato que custa R$ 52 e serve duas pessoas.
Endereço: Av. da Fazenda,37 ao lado da rotatória do posto
Informações: (35) 3438 1509

Onde Ficar

Pousada Mirante da Colyna
A Pousada Mirante da Colyna localiza-se a 500 metros da Av. Monte Verde (centro comercial de Monte Verde)  bem em uma colina rodeada por bosques de araucárias e vegetação nativa com uma linda vista panorâmica.
Como o próprio nome diz, a pousada é um verdadeiro mirante, pois até dentro dos chalés em rede ou em hidromassagem dupla, nos hóspedes podem avistar os principais pontos turísticos da cidade: Pedra Partida, Pedra Redonda, Chapéu do Bispo e Pico do Selado. Possui, ainda, piscina aquecida e spa. Para agosto, tem pacote de fim de semana (duas diárias) a partir de R$ 640 para o casal.
Informações: www.mirantedacolyna.com.br e (35) 3438-2613

Hotel Meissner Hof
O hotel e suas acomodações são decorados em estilo alemão montanhês. Oferece piscina ao ar livre e outra aquecida e coberta, salão de jogos, saunas seca e à vapor, quadras e campo de mini golfe. Tem pacotes de fim de semana (duas diárias) em agosto a partir de R$ 360 o casal.
Informações: www.meissnerhof.com.br e (35) 3438 2626

Pousada do Bosque
A Pousada do Bosque conta com 12 acomodações, sendo sete chalés e cinco apartamentos. Todas oferecem aquecimento central nas duchas e pias, canal de vídeo/  TV e lareira. Há, ainda, um
cine bar, uma sala de cinema com telão de 100′ e home theater, o hóspede escolhe o filme e a hora que quer assistir. Tem pacotes de fim de semana (duas diárias) em agosto a partir de R$ 320.
Informações: www.pousadabosque.com.br e (35) 3438 2090


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