Ainda há aviões adesivados com a saudosa marca Tam - Crédito: Sylvia Barreto

O que está acontecendo com a Latam?

por: Sylvia Barreto
30 de julho 2018

Fiz meu esperado primeiro voo com a Tam. O ano era 2002, tinha acabado de completar 18 anos e nunca tinha viajado de avião. Minha tia escolheu um pacote CVC para Fortaleza, meu pai pagou minha parte e eu não tive nenhuma opinião em tudo isso. Mas estava feliz porque iria, finalmente, “voar”.  O embarque seria no Aeroporto de Congonhas, era janeiro e estava bem cheio. Houve alguns problemas, tudo atrasou e o aeroporto teve que fechar. Fomos para Guarulhos de ônibus fretado e, horas de estresse depois, embarcamos.

Lembro que toda minha irritação passou quando veio a comissária e ofereceu balinhas Butter Toffees.  Não era incrível uma companhia aérea que recepcionava passageiros da econômica com balas deliciosas? Sim, era animador. Confesso que não lembro os itens do serviço de bordo, mas de algo me lembro bem, seja o que for, era grátis, não era preciso pagar nada além do valor da sua passagem.

Desde aquela viagem, eu sempre ficava feliz quando ia viajar de Tam. Sabia que encontraria assentos confortáveis e ficava ansiosa esperando as balinhas servidas com um sorriso, sim, sou viciada em açúcar. Claro que as passagens eram um pouco mais caras que as da concorrente que acabara de surgir, a Gol, mas o atendimento e conforto nem se comparavam. Como eu sempre queria viajar, quase nunca conseguia achar passagens que cabiam no meu bolso, então viajava com a companhia laranja pensando nos detalhes da vermelha e nas Butter Toffees enquanto comia amendoins.

Tudo isso começou a mudar. A Tam e a chilena Lan se uniram formando a Latam. Eu já escrevia sobre turismo e cobri cada etapa desse acordo. Não imaginava como a Latam seria completamente diferente da Tam. Hoje, quando viajo a trabalho a trabalho e vão me mandar passagens, ainda penso em uma companhia com o vermelho como cor principal, torço para que meus bilhetes sejam da Avianca Brasil ou da minha queridinha Azul (pois é, não escondo), as brasileiras mais confortáveis para mim atualmente. Para mim, a Avianca Brasil, atualmente, não só tomou a cor da Tam, mas se tornou o que a companhia foi um dia: aquela que o brasileiro tem prazer em voar.

Se meu voo for da Gol, fico feliz também, tenho que admitir que a companhia tem melhorado nos últimos anos, tanto em serviço como em espaço, e sem cobrar mais por isso. Já a Latam, começou a tirar muitos serviços que tinha como Tam e não vi o valor das passagens diminuírem, como tentam pregar em seus pronunciamentos de imprensa. Eu, que torcia o nariz para a Gol muitas vezes, agora prefiro ela em comparação com a Latam. Parece que o jogo virou, não é mesmo?

A Latam não lembra em nada a Tam da década passada. Bala? Só se pagar, e caro! E, agora, acabaram de anunciar que se o passageiro quiser marcar assento será cobrada uma taxa para passagens compradas a partir de 15 de agosto (leia aqui). E, há alguns dias (22/07) comprei uma passagem de ida e volta entre São Paulo e Punta Arenas (Chile) com conexão em Santiago e já tive que pagar para marcar o meu assento e do meu noivo, Rodrigo, nos trechos internos do Chile, nos internacionais não. Ou seja, essa cobrança já começou no Chile. Cada marcação de assento custou R$ 23,55. Caso eu optasse por não pagar, a companhia escolheria a poltrona que quisesse. Rodrigo e eu gordos e em uma de nossas viagens de lua de mel não poderíamos deixar a escolha por conta da Latam.

O print ficou ruim, mas é o único que tenho do valor total que paguei para marcação de assentos nos voos internos do Chile

Mesmo com tudo isso, por que eu escolhi a Latam para essa viagem? Simples, pontos Multiplus. O Rodrigo estava com muitos pontos Multiplus e resolvemos usar para pagar as passagens. Como a antiga Lan é chilena, a Latam também tem ótimas conexões no Chile e levamos isso em consideração, ficamos de mãos atadas.

Agora, imagine a situação de quem acumula pontos na Multiplus, como Rodrigo  e eu. A Multiplus virou uma potência, cresceu muito nos últimos anos e, pessoalmente, acho que ela tem as melhores maneiras de acumular pontos. E quem é sua parceira nacional e com melhores oportunidades de passagens? A Latam. Então temos a companhia aérea nacional que mais tem reduzido seus espaços e cobrado cada vez por mais serviços ligada ao programa de fidelidade mais robusto do mercado. Como fugir dessa cilada? Eu ainda não descobri. Enquanto isso, vou acumulando algumas milhas em todos os outros concorrentes, que, aliás, estão em uma disputa acirrada para ganhar mais fatias do mercado.

Apesar de toda minha insatisfação e decepção pessoais com a Latam, só resolvi escrever esse texto porque vi que outras pessoas estão tão indignadas quanto eu. Pessoalmente e pelas redes sociais, vejo diversos amigos reclamando dos serviços prestados pela Latam. Usam o Facebook para desabafar e na esperança que seus problemas sejam resolvidos.

Alô, pessoal da Latam, vocês estão percebendo as insatisfações também? A gente aqui entende que vocês queiram que todos os serviços sejam pagos além do valor habitual da passagem, como um refrigerante e marcação de assento, assim como nas low costs. Sabemos que combustível de aviação está “pela hora da morte”, o mesmo vale para a gasolina que usamos em nossos carros, e que as taxas brasileiras são absurdas (pagamos impostos), mas, então, podem começar a oferecer passagens com preços de low cost também já que parece estarem se esforçando tanto para chegarem a ser uma companhia com esse direcionamento?

Tags: latam , Tam ,

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