O Bilhete Único facilita a utilização de transportes públicos em uma cidade tão grande como São Paulo - Crédito: Caio Pimenta

O turista e o Bilhete Único em São Paulo

por: Sylvia Barreto
8 de dezembro 2017

Moro a uma quadra de uma estação de metrô em São Paulo. Tento utilizar o transporte para a maioria dos meus compromissos. Tenho o Bilhete Único. Quem não mora na cidade talvez não saiba, mas o Bilhete é um cartão recarregável aceito em ônibus, trens da CPTM, no metrô e nos terminais e estações de transferência do Expresso Tiradentes da capital. É prático e dá para economizar, na versão comum, o usuário pode fazer até quatro embarques em ônibus diferentes no período de três horas pagando apenas uma passagem e ainda tem um pequeno desconto quando no período de duas horas o usa em metrô/trem e ônibus.

Perdi o Bilhete Único esses dias. Estava em uma bolsa na verdade, mas eu achava que havia perdido. O bendito Bilhete não é vendido em qualquer lugar, apenas em postos de atendimento da Sptrans (São Paulo Transporte S.A.). Quase ao lado da minha casa tem um ponto de venda, só que sempre há umas 30 pessoas na fila. Tentei duas vezes, desisti por conta da fila. Perto de casa não encontrei outras opções de pontos de venda e acredito que essa que tentei é a única opção para quem vive nessa região da zona norte. Ainda bem que não comprei porque uns dias depois achei o cartão.

Toda essa história e dificuldade me fez pensar em uma coisa: e o turista em São Paulo? Sendo que o Bilhete Único é a forma mais fácil e econômica de usar os transportes públicos pela cidade, não seria o ideal que o turista tivesse um? Claro! Para adquirir o cartão paga-se o valor de uma passagem vigente (R$ 3,80 – dezembro de 2017) e a primeira recarga mínima deve ser o valor de cinco passagens.

Meu Bilhete Único com foto porque é vinculado ao meu RG, mas não precisar ser

A grande questão é que o turista, assim como o paulistano, deve se dirigir a um posto da Sptrans que venda o Bilhete Único. Em uma pesquisa no site do órgão vi que há 40 postos de venda na cidade. Somos 12 milhões de habitantes (dados IBGE 2016) temos 40 pontos de venda. Onde eles estão localizados? Tem algum ao lado de estações de metrô? Quase nenhum. Vende Bilhete dentro das estações de metrô, já que é possível utilizar esse meio de transporte com o cartão? Não vende.

Na avenida mais famosa de São Paulo, a Paulista, e que é atendida diretamente por duas linhas de metrô (Verde e Amarela) e tem mais uma ao lado (Azul), há algum posto de venda do Bilhete Único? Não, senhores. Em uma pesquisa no site da Sptrans (print abaixo), coloquei o endereço Avenida Paulista, número 2000, e não há nenhuma opção no local e nem bem pertinho, coisa de um quarteirão. Nada.

Pesquisa em site da Sptrans sobre postos de venda do Bilhete Único na Avenida Paulista

Imagine, eu sou paulistana, sempre morei na cidade, e tive dificuldade para comprar um novo Bilhete Único por conta das filas. E o turista, esse cara que está lá na Paulista querendo conhecer os principais atrativos da capital? Ele talvez nem vá saber o que é Bilhete Único. Se souber, vai ter dificuldades óbvias para a aquisição. Caso não compre, toda hora terá que contar moedas para ônibus e metrô. Sim, porque um turista que depende de transporte público em São Paulo e quer conhecer os principais pontos turísticos também irá depender de ônibus. Vejamos, o Parque do Ibirapuera é um dos ícones de São Paulo e não é atendido por nenhuma linha de metrô.

Dizem no turismo que um destino só é bom para o turista quando é bom, antes de tudo, para os moradores. É a mais pura verdade para mim. Qualquer paulistano que precise utilizar apenas transportes públicos sabe que o metrô deveria ter uma cobertura geográfica maior. Facilitaria muito a nossa vida e, consequentemente, a do turista. Mas isso é problema velho e, como necessita de obras e muito dinheiro, mais complicado de se resolver. Em contrapartida, deixar o acesso ao Bilhete Único mais fácil não me parece algo tão trabalhoso, iria facilitar a vida do morador e do turista.

Em grandes cidades do mundo, como Nova York ou Londres, dá para comprar os cartões de transporte público locais de maneira bem fácil. Geralmente, em qualquer estação de metrô tem. Há opções de compras em guichês ou máquinas. Simples, prático e rápido.

São Paulo, em 2016, recebeu 14,9 milhões de turistas, segundo dados de um estudo encontrado no Observatório do Turismo. Dentro desse número, 2,5 milhões eram estrangeiros e 12,4 brasileiros. No mesmo ano, Nova York recebeu 60 milhões de turistas e Londres teve 19,1 milhões só de visitantes estrangeiros, nem é o número total. Os dados são dos órgãos de turismo de cada cidade.

Particularmente, acho Londres uma cidade visualmente muito mais bonita que São Paulo. Já Nova York (lembrem-se, minha opinião), nem tem tanta beleza assim, é um caos organizado, mas “os caras” sabem se vender. Mesmo sendo apenas uma cidade grande, acredito que pessoas do mundo todo sonhem em conhecer Nova York. E o que falta para São Paulo ser a NYC da América Latina? Para começar, acho que falta vender Bilhete Único em locais mais acessíveis.

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