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Roteiro pela Amazônia com Manaus e as cachoeiras de Presidente Figueiredo

Quem quer conhecer a Amazônia não pode deixar de passar por Manaus, a capital do Amazonas, que fica em meio à vegetação. Perto dela, a cidade de Presidente Figueiredo com suas belas cachoeiras. A combinação dos dois destinos em uma viagem é perfeita.

Como de costume, o jornal O Estado de São Paulo convidou 22 jurados para eleger os melhores destinos para 2020. Uma das escolhidas para opinar é essa jornalista que vos escreve. E o local que ficou em primeiro lugar é a Amazônia. Sendo assim, já que é tendência, que tal reservar na sua agenda alguns dias para conhecer esse pedaço tão emblemático do Brasil?

Em 2020 serão vários os feriados prolongados. Para fazer essa dobradinha de Manaus e Presidente Figueiredo, nem precisa esperar as férias. Se conseguir emendar quatro dias, é o suficiente.

Caso opte para ir à Manaus nas férias mesmo, aproveite para ficar mais tempo e escolha também um hotel de selva no Estado do Amazonas. Nesse caso, reserve pelo menos oito dias para conseguir fazer tudo.

Acompanhe a matéria para descobrir quais pontos de Manaus não podem faltar no seu roteiro e qual a melhor maneira de chegar a Presidente Figueiredo e as cachoeiras para visitar por lá.

Aproveite o imperdível de Manaus

Uma cidade com pouco mais de 2 milhões de habitantes encravada no meio da Amazônia é uma descrição bem breve de Manaus. Banhada pelo Rio Negro, a presença da natureza é dominante.

Os passeios históricos se mesclam aos que colocam os turistas em contato com o rio, a floresta e seus habitantes. Impossível o turista passar despercebido por eles.

Reserve, pelo menos, dois dias para conhecer a capital do Amazonas. Com muito protetor solar e uma boa garrafa que mantenha a água gelada, vá aos pontos enumerados abaixo:

01 – Teatro Amazonas: o prédio histórico mais emblemático de Manaus é parada obrigatória do seu roteiro. Criado em 1896, é o símbolo da prosperidade amazonense durante o Ciclo da Borracha.

Além de apreciar sua bela fachada neoclássica pintada de rosa, é dá ver as belezas do teatro por dentro em uma visita. Uma boa pedida também é assistir a um de seus numerosos espetáculos.

A visitação acontece de terça a sábado das 09h00 às 15h00 e, aos domingos, das 09h00 às 14h00.  Amazoneneses não pagam entrada, os outros turistas, sim. O valor integral do bilhete é R$ 20 e é preciso comprar com horário determinado e escolher um idioma.

Endereço: Largo de São Sebastião

Largo de São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

02 – Mercado Adolpho Lisboa: Mais antigo do que o Teatro Amazonas – inaugurado 13 anos antes – a visita ao mercado vale a pena pela arquitetura e produtos. Se puder, vá logo cedo, lá dentro é meio abafado.

Por lá, dá para comprar artesanato amazônico e produtos naturais, como ervas. Outros produtos típicos do Estado, como frutas, também são encontrados por lá.

Tanto ao lado quanto no fundo do mercado, existem alguns restaurantes simples. Eles servem pratos típicos, como o x-caboquinho, que leva tucumã (fruta típica), banana frita e queijo coalho.

Se estiver procurando passeios pelo rio, a rua atrás do mercado tem várias opções. Nela, ficam pessoas vendendo excursões de barco, como a do famoso Encontro das Águas.

Endereço: Rua Dos Bares, Nº 46 Centro

No Mercado Adolpho Lisboa é possível encontrar produtos típicos da Amazônia – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

03 – Encontro das Águas: já que o assunto surgiu no parágrafo anterior, não pode faltar a sua ida à Manaus o passeio intitulado de Encontro das Águas. Trata-se da extensa faixa na qual os rios Negro e Solimões se encontram.

Existem passeios de dia inteiro para ver o Encontro das Águas, que geralmente incluem visitação à aldeia indígena e interação com botos, e saem justamente desse ponto atrás do mercado a partir das 08h00 da manhã.

Os passeios mais rápidos podem ser feitos a partir do Porto do Ceasa, que é um pouco mais afastado do centro da cidade. A melhor maneira de chegar até o local é de Uber ou táxi.

Se você vai a um hotel de selva, geralmente, eles incluem o Encontro das Águas. Então se informe antes para não gastar tempo nem dinheiro sem necessidade.

E o que fez a fama do Encontro das Águas? Apesar de estarem lado a lado, as águas barrentas do Solimões não se misturam com as escuras do Rio Negro. Isso acontece porque os dois rios tem pH e temperaturas diferentes. São vários quilômetros com o barco navegando e os rios ali, naquela ânsia de se juntarem.

Encontro dos rios Negro e Solimões – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

04 – Interação com boto-cor-de-rosa: Apenas em alguns rios da América do Sul é possível encontrar botos-cor-de-rosa. Alegre-se porque a Amazônia é o habitat deles e, uma vez em Manaus, é possível ver esses mamíferos de perto.

Perto da cidade, existem passeios que permitem interação com esses animais que chegam até 200 quilos. É possível fazer o agendamento em uma agência de turismo receptivo ou direto nos barcos que ficam atrás do mercado Adolpho Lisboa.

Os animais, bem parecidos com os golfinhos, não vivem em cativeiro. Eles são atraídos para esses locais de observação pelos peixes oferecidos.

Os turistas ficam em uma plataforma, descem até o rio em grupos pequenos e o instrutor começa a chamar os botos e eles aparecem para comer. São dóceis e é possível passar a mão neles com muito cuidado para não machucá-los.

O passeio com botos é outra atividade que hotéis de selva e cruzeiros fluviais costumam incluir. Portanto, se vai para algum deles, consulte se está incluído ou se oferecem a opção desse passeio por um valor acessível, ou seja, menor do que os oferecidos em Manaus.

Equipe do Viajar é Simples em encontro com boto-cor-de-rosa – Crédito: Arquivo pessoal

05 – Museu da Amazônia (MUSA): é um passeio imperdível para quem não irá para hotel de selva, se você for, não é tão necessário que vá até lá. Em uma área no norte da cidade, o MUSA tem uma área de floresta de terra firme nativa, a Reserva Florestal Adolpho Ducke. Por lá, é possível não só conhecer a mata como também alguns animais.

O ideal é usar calça, meia e uma botinha ou tênis de trilha para passear pela mata. Ainda mais quando chove, o caminho pode ter bastante barro, além de muitos insetos.

Alguns lugares bem interessante do MUSA são: borboletário, serpentário, lago de vitórias-amazônicas e uma torre de observação de 42 metros de altura.

Dá para fazer visitas guiadas e sem guias. Para consultar valores vigentes, o MUSA indica escrever para o e-mail agendamento@museudaamazonia.org.br. Crianças até cinco anos não pagam. Menores de 14 anos só entram com um responsável.


06 – Museu do Seringal Vila Paraíso: um passeio emblemático. O Ciclo da Borracha é essencial na história de Manaus e de toda a região. Portanto, é bastante interessante e educativo.

Em uma visita guiada de quase uma hora, é possível ver todas as instalações, que reproduzem um seringal que realmente existiu a 600 quilômetros da capital. Dá para ver como viviam e trabalhavam os seringueiros e também os barões da borracha e suas famílias.

Outro ponto interessante no passeio é ver o processo de fabricação da borracha. Dá para ver desde a extração do látex da seringueira até o produto final.

O local fica aberto de terça a domingo das 08h00 às 16h00. Para chegar até lá de Manaus, só de barco. A maneira mais fácil é pegar uma das embarcações na Marina do Davi. O caminho até o museu, pelo rio Negro e alguns afluentes, dura cerca de 30 minutos. Na época da seca, dá até para fazer uma parada para aproveitar as praias da região.

07 – Ir a um restaurante típico: aproveite que está em Manaus para provar alguns pratos específicos do Estado. Peixes como o pirarucu e o tambaqui são bastante consumidos por lá. O primeiro tem o gosto bem forte, é conhecido como o bacalhau da Amazônia. O segundo tem sabor suave.

Um dos restaurantes mais famosos da cidade é o Banzeiro, do chef Felipe Schaedler. Suas principais receitas, a costela de tambqui e os filés de tucunaré e pirarucu são preparados de formas únicas.

Uma vez no restaurante, já ouse logo na entrada. Peça a “formiga saúva e espuma de mandioquinha” (R$ 16). É necessário pedir uma porção por pessoa desse prato. O gosto dos insetos lembra uma mistura de erva-doce com limão.

Entrada com formigas saúvas no Banzeiro – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Outra boa pedida para a entrada é a “costelinha de tambaqui com barbecue e farinha Uarini” (R$45, serve bem duas pessoas). É bastante inusitado comer a costelinha empanada e ainda mais com esse molho. A mistura fica uma delícia!

Para prato principal, aposte no “pirarucu gratinado” (R$ 118 para duas pessoas), ou na “costela de tambaqui parrilla” (R$ 136 para duas pessoas), que são as costelinhas grelhadas com flor de sal, baião de dois e farofa de ovo com farinha Uarani.

Para sobremesa, não deixe de pedir a “banana de forno”(R$ 18). Pode apostar, será uma das melhores sobremesas que você já comeu na vida. Além disso, ela é a cara do Brasil.

Endereço: R. Libertador, 102 – Nossa Sra. das Graças

Costela de tambaqui parrilla no Banzeiro – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

No Banzeiro, prove a banana de forno de sobremesa – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

08 – Cachoeiras de Presidente Figueiredo: se você for passar de três a quatro dias em Manaus, reserve pelo menos um deles para conhecer Presidente Figueiredo. Mesmo que vá para algum hotel de selva, vale a pena ver as cachoeiras dessa cidade.

A 130 quilômetros de Manaus, o destino tem mais de 100 cachoeiras catalogadas. Existem passeios de um dia inteiro a partir da capital para o destino. Porém, se quiser ter mais liberdade, a melhor maneira é alugar um carro.

As cidades são ligadas pela BR-174. Em um dia, dá para visitar, pelo menos, três cachoeiras. Algumas das mais bonitas estão na AM-240, chamada de Estrada da Balbina, que o turista pode seguir após passar por dentro da cidade.

Na KM 54 da Estrada da Balbina, a cachoeira do Mutum é famosa por suas piscinas naturais. Dá mais ou menos uma hora dirigindo a partir do centro de Presidente Figueiredo.

Cachoeira da Pedra Furada – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Algumas ressalvas aqui: quase não existe sinalização da cachoeira na estrada, é preciso ficar bem atento, e, dentro da propriedade é necessário fazer uma trilha, de carro ou caminhando, para chegar até o local. Se chover, a trilha é fechada. Se estiver aberta, o ideal é que o carro seja 4×4.

Um pouco depois da cachoeira do Mutum, por volta do KM 57, existe a cachoeira da Pedra Furada. Dá para combinar as duas em uma ida ou, se a do Mutum estiver fechada, a da Pedra Furada é uma boa opção.

A cachoeira da Pedra Furada tem um estacionamento bem grande e para acessá-la são apenas uns cinco minutinhos caminhando após deixar o carro. Nessa pequena caminhada, o contato com a floresta já é poderoso.

O nome é bem literal, existem três furos em uma pedra e água passa por eles, cai e formando cascatas e uma deliciosa piscina natural. Dá para passar pelo menos uma hora tomando bons banhos por ali. O local não tem infraestrutura de restaurante ou banheiros.

Na volta, o ideal é passar na cachoeira dos Pássaros para almoçar, mesmo que seja um almoço tardio. Ela fica no KM 13 da Estrada da Balbina e desse ponto ainda tem um pedacinho sem asfalto. A cachoeira em si não é impressionante, mas o espaço permite camping, tem tirolesa, passeio de boia, banheiros e restaurante. A especialidade? Tambaqui, claro.

Banda de tambaqui na Cachoeira dos Pássaros – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Para completar o passeio, vá até o Parque Ecológico Iracema Falls, fica no KM 998 da BR 174, antigo KM 115, a poucos minutos da cidade. No complexo, existem duas cachoeiras, hotel e até cavernas. A mais famosa delas, é a cachoeira Iracema, com uma queda de 80 metros.

Reserve pelo menos, duas horas para passear pelo local. Do estacionamento, existe uma trilha de 15 minutos até a Cachoeira da Iracema. Por esse caminho, prepare-se para ver algumas cavernas habitadas, claro, por morcego. Note que ter esse tipo de formação na Floresta Amazônica é algo bastante incomum.

Depois da caminhada leve, é hora de se refrescar nas águas da cachoeira. Se o cenário for familiar, talvez seja porque ela foi usada como locação na novela da Globo “Além do Horizonte”, exibida em 2014.

No local também existe a cachoeira das Araras, acessível por uma trilha a 500 metros da cachoeira da Iracema. Se tiver tempo, vale dar um pulinho lá.
O complexo é um bom lugar também para almoçar ou comer algum petisco já que oferece restaurante. Para aqueles que quiserem dormir por lá, o lugar também oferece acomodação.

 

Cachoeira da Iracema – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Caverna no Parque Ecológico Iracema Falls – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Cachoeira da Roseira – Crédito: Rodrigo Barrionuevo (imagem feita com drone DJI Mavic Air)

Os locais mencionados no texto cobram pequenas taxas de entrada que variam entre R$ 5 e R$ 15 por pessoa. Leve dinheiro vivo porque nem sempre os cartões são aceitos nas cachoeiras.

A seleção de cachoeiras da equipe do Viajar é Simples é apenas um percentual pequeno do que a cidade de Presidente Figueiredo oferece e para quem só tem um dia por lá. Caso tenha intenção de conhecer outras, faça uma programação para se hospedar na cidade por um ou mais noites. Cachoeira não vai faltar para ver, isso é certeza.

E hotel em Manaus?
Conhecendo tantos lugares lindos, também é importante ter uma boa cama para dormir à noite, não é mesmo? O Viajar é Simples testou dois hotéis na cidade e deixa abaixo as dicas.

Ibis Budget Manaus – A rede Ibis Budget tem hotéis econômicos e com o mesmo padrão em todos os lugares do mundo em que oferece unidades. Em Manaus, não é diferente. Ele fica em um local acessível, com shoppings e restaurantes ao redor, e tem quartos simples, porém confortáveis.

O Ibis Budget Manaus também oferece espaço com venda de salgadinhos e bebidas, além de café da manhã, que pode ser incluído na diária. A refeição tem itens como pães, frios e bolos. Diárias a partir de R$ 106 para duas pessoas. Clique aqui para fazer sua reserva!

Restaurante do Ibis Budget Manaus – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Quarto do Ibis Budget Manaus – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Tryp by Wyndam Manaus – Todo decorado com elementos locais, o hotel fica pertinho do aeroporto da cidade. É uma ótima pedida para quem vai dar um pulo em Presidente Figueiredo, já que está perto da rodovia que leva à cidade.

O hotel oferece, ainda, estacionamento gratuito e quartos amplos de diferentes categorias, incluindo banheiros com espaço para banho bem confortáveis para pessoas obesas. Para o lazer, piscina na cobertura para aproveitar o calor de Manaus e fitness center.

O Tryp by Wyndham Manaus tem, ainda, restaurante aberto para café da manhã, incluso nas diárias, almoço e jantar. A gastronomia oferece não só pratos internacionais, mas também comida típica da Amazônia. Diárias a partir de R$ 269 para duas pessoas. Para reservas, clique aqui.

Apartamento do Tryp by Wyndham Manaus – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

Piscina do Tryp by Wyndham Manaus – Crédito: Rodrigo Barrionuevo

*A equipe do Viajar é Simples teve apoio da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, do Ibis Budget Manaus e da Nobile Hotéis nesta viagem. Todavia, o texto reflete as experiências reais de viagem.

** Valores neste texto foram checados entre outubro de 2010 e janeiro de 2020